Ainda vale a pena cursar Engenharia de Software na era da inteligência artificial?
Ainda estudando e trabalhando nos próprios projetos, tento entender como uma base em Engenharia de Software pode se conectar à IA, ao audiovisual e ao caminho que quero construir.

Quando iniciei Engenharia de Software na Unigran, eu imaginava que a faculdade seria o principal caminho da minha vida profissional. Pouco tempo depois, iniciei a daLontano e fui me aproximando cada vez mais do audiovisual, uma área de que gosto muito. Hoje, quero construir uma agência que, no futuro, possa juntar criação, comunicação e tecnologia.
A faculdade continuou fazendo parte desse percurso, mesmo quando outras coisas passaram a ocupar mais espaço. Estou no sexto semestre, quase terminando o terceiro ano, e ainda tento entender como essas partes da minha vida podem se conectar.
Nesse meio-tempo, a inteligência artificial mudou bastante a conversa sobre programação. Com ferramentas de IA e o chamado vibe coding, dá para descrever uma ideia em linguagem natural e ver uma página ou uma aplicação começar a tomar forma. É empolgante, mas também faz muita gente se perguntar se ainda vale a pena estudar Engenharia de Software.
A minha resposta é sim. Para mim, pelo menos. Só que essa opinião vem da experiência de alguém que ainda está estudando, que poderia ter aproveitado melhor algumas matérias e que está tentando encontrar seu próprio caminho entre tecnologia e audiovisual.
O valor de uma base aparece com o tempo
Por muito tempo, achei que as matérias mais importantes seriam aquelas em que eu estava escrevendo código e vendo o resultado aparecer. Hoje, quando trabalho nos meus projetos de desenvolvimento, tenho outra percepção: os dois primeiros semestres da faculdade acabaram se tornando alguns dos mais valiosos para mim.
Foi ali que comecei a desenvolver uma forma mais organizada de pensar um projeto. Entender o que precisa ser feito, organizar os requisitos, separar um problema em partes e planejar o desenvolvimento pode parecer menos empolgante do que ver uma aplicação pronta. Mas, quando estou tentando tirar uma ideia do papel, percebo o quanto essa base me ajuda a decidir por onde começar e como avançar.
Essa é uma percepção minha, construída enquanto trabalho nos meus próprios projetos. Não quer dizer que eu domine tudo ou que a faculdade tenha respondido a todas as perguntas. Quer dizer que alguns conhecimentos que pareciam distantes começaram a fazer sentido quando passei a precisar deles fora da sala de aula.
A apresentação oficial da Unigran descreve o curso como uma formação de oito semestres, com conteúdos ligados a desenvolvimento, testes, qualidade e arquitetura de sistemas. Essa combinação ajuda a lembrar que Engenharia de Software envolve várias etapas do trabalho com software. A página do curso da Unigran traz mais informações sobre a formação.
A IA ajuda, mas também pode esconder o que ainda falta aprender
A inteligência artificial já me ajudou em várias tarefas. Ela pode sugerir uma função, explicar um erro ou montar uma primeira versão de uma página. Quando estou travado, ter uma ideia de como continuar pode fazer diferença.
Ao mesmo tempo, às vezes o resultado aparece antes de eu entender o processo. A ferramenta entrega algo que parece funcionar, e dá vontade de seguir em frente. Só que, se eu não sei explicar como aquilo foi feito, talvez tenha avançado no projeto sem avançar junto no aprendizado.
Tenho percebido isso especialmente com o vibe coding. Ele pode ser ótimo para experimentar uma ideia e construir uma primeira versão. Também pode me levar a depender de soluções que ainda não sei avaliar direito. Quero aprender a usar essas ferramentas sem deixar que elas pensem por mim em tudo.
Pesquisas recentes ajudam a mostrar por que a conversa sobre produtividade ainda está aberta. O relatório DORA de 2025 descreve a IA como uma ferramenta que amplifica as condições já existentes nas equipes e organizações. O impacto depende também dos processos e da forma como o trabalho está organizado. O relatório da DORA discute esses fatores.
Um estudo da METR, publicado em 2025, acompanhou 16 desenvolvedores experientes em 246 tarefas de projetos de código aberto que eles já conheciam. Naquele contexto específico, os participantes levaram, em média, 19% mais tempo quando podiam usar ferramentas de IA. Os pesquisadores ressaltam os limites do experimento, então o resultado não serve para dizer que a IA sempre atrasa ou sempre acelera o desenvolvimento. Ele mostra que o efeito pode variar bastante conforme a tarefa e o contexto. O estudo da METR está disponível para consulta.
Então, ainda vale a pena?
A graduação exige tempo, dinheiro e dedicação. Também não garante emprego ao final do curso. Algumas pessoas aprendem muito por conta própria, criando projetos e estudando no ritmo delas. Para outras, a faculdade pode oferecer uma estrutura e uma base que seriam mais difíceis de organizar sozinhas.
No meu caso, os primeiros semestres ganharam valor com o tempo. Hoje consigo enxergar melhor como noções de projeto e requisitos aparecem quando tento desenvolver alguma coisa de verdade. Ao mesmo tempo, sei que deixei passar oportunidades de aprender melhor e quero recuperar parte desse conhecimento.
Também sei que minha trajetória não é reta. Iniciei a daLontano, me aproximei do audiovisual e gostaria de construir uma agência que, no futuro, conecte essas áreas à tecnologia. A IA entrou nessa história como ferramenta, possibilidade e, às vezes, distração. Ainda estou aprendendo a encontrar um equilíbrio.
Por isso, se alguém me pergunta se vale a pena cursar Engenharia de Software, digo que vale considerar com seriedade. A resposta de cada pessoa vai depender do que ela quer construir, de como aprende e do tipo de dedicação que está disposta a colocar nisso.
Eu ainda estou no meio do caminho. Mas, trabalhando nos meus projetos, comecei a entender por que aquela base do começo do curso continua me acompanhando. E isso pesa bastante na minha resposta.
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